O Anjo da Guarda diz que se lhe escapam completamente, tanto as lides económico-financeiras, como a gestão dos fenómenos naturais e que se encanta com este metafórico título. Disse também que tenho a tarefa de espalhar  que quem diz o contrário, só nos está a confundir. E pronto, está dado o recado do Anjo Bom porque, se os ventos de Novembro antecipam o calor do Natal, poderia concluir que este sonho foi uma premonição que incendeia verdades e alerta para o que se quer da vida.

Sonhar, sempre.

E os políticos, neste calor de Novembro, têm pulgas na cadeira ao ver um poder que se esvai e o país, que está na banca rota há muito tempo, espera ansioso pelo que se vai passar, em directo, colado à cadeira do sofá, ou deitado, com uma mantinha aos pés, para o caso de ficar, de repente, mais frio.

Sonhar, sempre.

São os sonhos que alimentam a razão e nos descansam de uma realidade que, por vezes, demasiadas vezes, nos magoa e nos incendeia as opiniões.

Sonhar, sempre.

E os ventos de Novembro, com tanta palha seca a servir de rastilho, vão tornar o calor que se adivinha para o Natal, num inferno moral, porque não falta por aí palha seca a incendiar a comodidade e o medo que se instalou. Estou a vómitos com tantas mentiras, estou a vómitos com tanta generosidade encapotada, estou a vómitos com tantas lágrimas, à fina força escondidas. Estou a vómitos deles e do seu mote: deus, pátria e família, um Deus que renegam, uma Pátria que vendem e uma Família que desconhecem. Estou a vómitos deles, e não estou grávida.

Sonhar, sempre.

E, só numa coisa, o descanso: a escrita. Alma inquieta e saltitante, que difícil és de contentar, para onde vais?

Para o sonho, mergulhar na música serena, com a viola, vestida de t-shirt de puro algodão, bem velhinha, encostada à pele, a ver uma televisão, sem som, a vomitar as maldades de uma humanidade que não acredito perdida, a bebericar uma chávena de chocolates quente, a adocicar a alma. Explicar o inexplicável ou só dizer que enquanto uns odeiam os outros amam?

Sonhar, sempre.

O ser humano, quando se une, consegue uma força indestrutível que constrói pontes inabaláveis. Chama-se amor a essa corrente que está no espírito, e é bom que chegue, por quanto as mentes que estão cheias de matéria, não deixam espaço para a razão, e o vazio de razão provoca desumanidade.

Soprem de mansinho, ventos de Novembro, e cubram-nos do calor do Natal porque o ontem é um ponto final parágrafo, o texto continua e, nas palavras que se seguem, lavem-me a alma.

Cristina Brandão Lavender, A Velha-Escrita de Novembro de 2015

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