Quando o acordar toca
quando a história chega tão de repente
quando os sinos dobram
logo uma página de palavras se desdobra
para que então se encha de possíveis não acontecidos
de dias que não dormiram
de fantasmas que por ai andejam
porque é essa a vontade
fazer nascer um recado impresso
um estilete gravado
a ferir de morte vampiros
que se engasgam no escárnio do seu sangue
de fluidos roubados
quando a noite chega
quando aquele pedaço de branco não está mais vazio
e prenhe se preenche de respostas
aos gritos que clamam
e que esbarram no entendimento

quando fica o carinho estéril e seco
quando a razão sugada
se esvai solo adentro
vem o desassossego que se instala
num falso momento
de um deleite suave e demorado
para que num último sopro de vida
com as palavras lavradas
se faça como devia de ser
a vida

 

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