Também tu

Também tu me esperavas nos bancos da avenida. Lá, onde se vêem linhas de almas sentadas, ripas de madeira de tinta vermelha estalada, ao sol e à chuva, acumulando sorrisos, lágrimas ou simplesmente a pendurar memórias no tempo, as partilhas de conversas, carícias e pensamentos, olhares vagos, nos devaneios, nos que desafiam os destinos, nos que param, nos que se sentam, nos que se perdem e nos que se encontram, como tu, sentados à espera, de cigarro preso nos dedos amarelados pela nicotina, à espera, tu, à espera de mim. Observei-te de longe, da porta dos Congregados e, nesse dia não fui. Deixei-te naquela ânsia e não fui, arrepiei caminho e voltei para casa. No dia seguinte, à mesma hora, lá estavas, beijei-te na face e num sussurro comuniquei o que não querias ouvir. Vou-me embora de Braga, amanhã. Ainda vi lágrimas nos teus olhos. Nunca sentira o banco tão frio e sei que a ausência nos gelou. Hoje já não estás connosco e os bancos da avenida têm todos o teu nome.
São bancos, são linhas de almas, na avenida Central, em Braga.

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