Falar sobre este “Território Educativo de Intervenção Prioritária” tornou-se ainda mais importante pois levou-nos, mais uma vez, a uma reflexão sobre a realidade da nossa escola que, permitam-me a audácia, é a realidade nacional com mais ou menos investimento físico e material. Por este motivo repito que “todo o território nacional deveria, neste momento, estar sob a medida de intervenção prioritária”. Isto quer então dizer que concordo que o nosso agrupamento se candidate a esses “benefícios” sejam eles quais forem.

O que realmente me apraz registar, e estou de acordo com as declarações feitas pelos colegas nesta discussão, é esta necessidade de, finalmente, nos debruçarmos “a sério” sobre os problemas que nos constrangem e que nos poderão colocar dentro dos objectivos desta “medida”. Gostei dos vossos textos e partilho das vossas opiniões. Permitam agora o meu desabafo.

1º – Não há educação de qualidade sem autoridade.

Há muito que proponho que nos dispamos de complexos adquiridos com o 25 de Abril e deixemos de confundir autoridade com autoritarismo e liberdade com libertinagem. A nossa “escola”, a educação em Portugal em particular e a sociedade em termos gerais não têm autoridade. Os pais não têm sequer tempo para a exercer e alguns dos que têm tempo não fazem a mínima ideia de como o fazer e estão tão perdidos como os filhos. A grande maioria dos alunos não sabem com que regras aceitáveis podem contar, quais as fronteiras lógicas que lhes são estabelecidas. Como a escola é a sociedade em miniatura é urgente definir explicitamente quais os limites em que a comunidade educativa se pode mover. Deparamo-nos, dia a dia, em todas as escolas do nosso agrupamento, com situações que estão longe de ser razoáveis e são nitidamente uma invasão do espaço livre do outro. Não vos vou maçar com uma listagem mas diria numa frase: “são todos os comportamentos que impedem o outro de exercer o seu direito à educação” ou numa linguagem mais moralista “não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti” ou ainda melhor “faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti”.

2º – As actividades fazem realmente a diferença.

Seja recorrendo ao uso da cartilha maternal de João de Deus seja pelo uso de tecnologias de informação e/ou aos manuais existentes no mercado deve-se acima de tudo, aos agentes humanos da nossa escola, toda a diferença na educação. A diferença está e estará sempre nas actividades que alunos, professores, auxiliares de acção educativa e direcção executiva desenvolvem dentro desta sociedade em miniatura, com os parceiros sociais a quem se associarem. Nós, no primeiro ciclo, temos uma vantagem “enorme” na medida em que o regime de mono docência facilita a interpenetração/cruzamento das áreas curriculares disciplinares e não disciplinares que queremos abordar na exploração de diferentes assuntos. Tenho até dificuldade em compreender que seja de outra maneira.

3º – A educação é mesmo para todos.

Devemos ter muito cuidado para não transformar a nossa escola num espaço em que a educação é para os alunos mais difíceis, os “excluídos”, as “minorias”, os com “dificuldades” e tantos outros adjectivos de que discordo, onde tudo lhes é permitido, criando uma espécie de privilégio dos coitadinhos, a todos os níveis, fazendo-os esquecer que esses alunos são pessoas, que devem ser tratados como pessoas iguais e com oportunidades iguais. A escola inclusiva é lugar de aprendizagem de competências e não um espaço que agasalhe incompetências. Na minha humilde opinião é isso que todos esperam da nossa escola.

4º – Por último mas de certeza que não menos importante:

“Uma boa liderança faz a diferença para uma escola de qualidade”.

Quem não gostaria de ter uma Direcção que fosse isso mesmo, uma direcção, um apoio, com quem nos sentíssemos seguros, com quem pudéssemos contar e que, integrada num bom ambiente, pudesse liderar um todo com diferenças, partilhando o respeito por essa mesma diferença que promove, na variedade, a sua qualidade.

Permitam-me a frontalidade para dizer que não me sinto segura com esta direcção executiva. Nunca sei se o que me dizem de manhã vai ser verdade na tarde desse mesmo dia. Sinto-me num barco sem rumo ao sabor do vento, onde está tudo ao molho e que só nos resta mesmo “Fé em Deus” para sobreviver.

Como escrevi há algum tempo atrás: “Para mim não há Educação sem Amor nem tampouco Amor sem Educação”. Com TEIP ou sem TEIP vou continuar a tentar ser uma profissional responsável, combater com profissionalismo e dedicação o inevitável cansaço de 32 anos de serviço, com a sempre presente “vontade de aprender diariamente”.

Sejamos confiantes e optimistas. Sejamos, principalmente, construtivos e unidos.

Boas Férias!
CBL

Revisão do Publicado em 4 de Janeiro de 2009 no FORUM TEIP 2 na Página do Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Sanches

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