18 de Julho de 2013

Somos uma família normal. Vivemos numa família normal. Como uma família normal. Vivo com eles, num tempo normal. Vivo, neles, num espaço normal. Toda esta normalidade reveste-se ainda de um superespaço (absolutamente comum), aquele que tenho a capacidade ou descapacidade de afrentar, examinar, suportar, pegar pelos cornos, sem ser do touro, da vida.
Ninguém pode privar-se de concordar que esta história é feita de “tristezas e saudades”. No meu superespaço (absolutamente comum) entram também, sem baterem, sem convite, “tristezas e saudades”, com um enorme despudor que não me desagrada nem me surpreende, com a verdade do seu existir, da mesma forma como eu tomo o café da manhã, organizo o jantar de família todas as semanas, durmo, como, e como tenho enxaqueca irritantes duas a três vezes por mês. Estou sempre à sua espera, sem esperar, com alegria e coração aberto, com uma bondade que quero ter, mas que tarda sempre mais um bocadinho em aparecer.
O que não entra, pelo menos quando eu estou de guarda com o meu canil, é o infinito mal que essa verdade pode causar ou a perda de tempo que é fazê-las ainda mais intensa do que realmente já é. Uma total capacidade de perder tempo é a única realidade que espero nunca alcançar. Arrepio-me só de pensar no dano que pode provocar como se me desligassem ao suporte de vida nas urgências onde eu me poderia ainda recuperar.
Já lá estive muitas vezes, só ou com todos os meus amores mais próximos, com outros, e declaro que é donde quero sair sempre, com mais saúde do que lá entrei, nem que seja para o lado de lá, o lado espiritual. O perder tempo não deixo. Recuso, no , que essa verdade trivial, vulgar e banal  chamada “tristezas e saudades” me cause maior sobressalto ou perturbação,  me roube, à minha frente e descaradamente, a lua e a negritude da noite, a beleza das estrelas de quem me fala, o mar que sinto nos risos e lágrimas dos que me deixam aproximar, a minha capacidade de aprender sempre, de amar melhor e a de nunca desistir de ver as montanhas com as cores que quero, os livros com as palavras que saem e dançam e as opiniões de quem as profere.

Este texto não é uma perda de tempo, é um grito de amor a Nelson Mandela, alguém a quem amo sem mesmo saber como é a sua capacidade imensa de amar, pelo simples facto de que, num dia , sei que hei-de aprender.

CRISTINA BRANDÃO LAVENDER

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