Vivemos neste tempo um prolongamento de todo o questionar da existência. O sofrimento de Jesus é o sofrimento causado pelo homem ao homem. Jesus, ao sofrer a perseguição dos que se negam a compreender outras verdades que não as suas, diz que está ali, até ao fim, por elas morre, verdades que não nega porque é nelas que acredita. Jesus dá-se a uma entrega submissa e total aos que lhe querem mal, porque não lhe podem roubar convicções profundas. Jesus não aceita o poder daqueles que rejeitam, liminarmente, em julgamentos pré-decididos, uma vida de dádiva pelo amor. Jesus rejeita do poder de um condenar fácil, o poder da tirania dos que chamem a si sentenças de morte ou de vida e rejeita dar ao homem o poder de ter, em suas mãos, a frágil morte e a difícil arte de existir. Jesus zomba, no silêncio daquele que já percebeu que vai enfrentar o último momento, dos poderes das multidões exaltadas que se comprazem em subjugar os mais fracos só pelo prazer de jorrar sangue alheio. Jesus recusa negar dar a mão àquele que a estende porque afinal o que permanece inquebrável é o poder de Deus, aquele que ninguém nos pode roubar no peito onde o encerramos. Jesus é um revolucionário que nos permite uma passagem de liberdade.
Uma Páscoa Feliz, porque este livre sentir ninguém nos consegue roubar.

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