Peço detalhes do Paraíso

E da raça humana que é única,

A resposta vem no vento morno

Montada na estrela do norte

Mostra-nos, Musa de Neptuno,

Onde descansar a cabeça.

 

Chegam luzes e sombras de um povo

Paleta de aguarelas do mar,

Onde aportaram caravelas

Levando novas de Portugal.

 

No porão vão gentes acorrentadas

Expostas como carnes a comprar

Grilhetas de ferro, aos pés,

Que não prendem os pensamentos

Nem nunca os poderão amarrar.

 

E ouvem-se cantos que nascem

Para esquecer os braçados,

Ao som de tambores ritmados

Fazem coro, os pássaros da ilha,

Dançam e expelem diabos

A fim de enterrar mais um dia.

 

E que as trevas se cerrem de vez

numa caverna de negro basalto,

Porque alma que geme e que chora

Desperta e grita bem alto

A liberdade de Ser.

CRISTINA BRANDÃO LAVENDER

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