É isso que quero fazer todos os dias. Sempre que posso. Voar. Voar paredes fora no meio dos outros. Não sou maria-vai-com-as-outras. Tu também não. Escolhes a tua companhia. Escolhemos. E deito-me à lareira, meio sentada, meio deitada, com os pés ao alto pousados na beira do granito. Encosto o livro às coxas unidas para o receber e parto. Se me dá para olhar para a lareira, a luz fica mais intensa, o calor mais aconchegado, o conforto mais amado. A posição é a melhor do mundo. O tempo pára ou avança, os espaços definem-se, a companhia aconchega-se. Tudo isso porque nas mãos tenho um. Quando não voo fico rezinga. Tudo corre mal. Torno-me feia por tão descontente ser o momento. Falta-me tudo. Necessito desse entrar nas letras das pessoas que precisam tanto das palavras como eu. Das pessoas que não dormem para as dizer. Das pessoas que não comem para as ler. Das pessoas que não vivem sem as falar. Das que vivem dos silêncios das parir. É isso. Voo. Vou. E indo, levo quem ama comigo. Quem não quer que não venha. Eu voo.

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